sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sarney, hein – quem diria? Mais amador do que Renan



Ricardo Noblat
A certa altura de uma das suas conversas com o empresário Sérgio Machado, presidente nos últimos 12 anos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, o ex-presidente da República José Sarney, presidente de honra do PMDB, comenta a respeito de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado:
- Renan é muito ingênuo às vezes. Não se entrega documentos a jornalistas. E uma vez, Renan entregou e acabou se dando mal.
O provecto Sarney foi ingênuo pelo menos uma vez na vida – ao falar mais do que devia, e tudo o que não devia, em conversa gravada por Machado, o mais recente e explosivo delator da Lava-Jato. Deu-se mal, muito mal. E deixou mal a presidente afastada Dilma Rousseff.
Sarney vaticinou que a delação de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora Odebrecht, encrencará Dilma. Comparou o poder de destruição da delação de Odebrecht com o poder de destruição de uma metralhadora de calibre ponto 100.
E bateu em Dilma abaixo da linha de cintura ao dizer:
-  A Odebrecht [...] eles vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma. Porque foi com ela. Quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela. Então eles vão fazer. Porque isso tudo foi muito ruim pra eles
Santana foi o marqueteiro da campanha de Lula à reeleição e das duas campanhas de Dilma. Está preso, acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. Recebeu dinheiro da Odebrecht no exterior e, segundo Sarney, a pedido de Dilma, que nega.
Essa é a revelação mais grave feita por Sarney ao microfone escondido por Machado em sua própria roupa. As demais são embaraçosas, apenas isso, e sugerem que o político sempre cauteloso no uso das palavras está deixando de sê-lo.
Sobre Lula, por exemplo, Sarney fofocou com Machado:
- O Lula acabou, o Lula coitado deve estar numa depressão. [...] Eu soube que o Lula disse, outro dia, ele tem chorado muito. [...] Ele está com os olhos inchados.
Sarney ficou com a cabeça inchada depois de saber que fora gravado. Coisa de político amador.

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