segunda-feira, 26 de junho de 2017

Povos indígenas participam da 11ª Agritec em Barra do Corda




Durante a 11ª edição da Feira da Agricultura Familiar e Agrotecnologia do Maranhão (Agritec), realizada na última semana, em Barra do Corda, a presença de povos indígenas chamou atenção de quem visitava a Feira. Três grupos marcaram presença no evento - os Guajajara, Timbira e Canela, a fim de mostrar sua cultura e seu artesanato e, também, buscar conhecimento por meio dos cursos e oficinas oferecidos na Agritec. Esses três grupos são dos sete étnicos existentes no Maranhão, de acordo com informações da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A Agritec é um espaço que oportuniza a troca de saberes, e em relação à participação dos indígenas na Feira, ficou ainda mais evidente a importância da Agritec na construção de conhecimento.

No espaço tecnológico foi construído uma oca pelos índios Guajajara da Aldeia Mainumy, do município de Barra do Corda, onde demonstraram pequenas atividades realizadas pela aldeia, como a pesca, o cultivo da mandioca e a produção de farinha. Além disso, mostraram o artesanato indígena, como brincos, colares, pulseiras, e a pintura artística à base de tinta de jenipapo.

A cacique da aldeia, Libiana Pompeu, ressaltou que a Agritec deu a oportunidade de apresentar o viver da comunidade indígena. “É muito interessante essa feira para a gente mostrar nossa cultura e como vivemos. Agradecemos ao nosso governador Flávio Dino por este espaço”,  contou a cacique.

Praticamente todas as aldeias indígenas maranhenses possuem a agricultura, pesca e caça como fonte de alimentação e renda. Na aldeia Mainumy, por exemplo, o cultivo de arroz, feijão, mandioca, macaxeira e a pesca são as atividades de sobrevivência do grupo de aproximadamente de 300 índios Guajajara.

Ainda no espaço tecnológico dedicado aos índios Guajajara, o público pode conhecer outros aspectos da cultura da aldeia, um pouco da língua materna preservada pelos índios, o Tupi-Guarani, que durante os três dias de Agritec cantaram o hino do Maranhão em Tupi e ainda ensinaram saudações, como 'Iktu' (obrigado).

O índio e professor da Aldeia, Edjar Guajajara, enfatizou que a aldeia busca preservar a língua original, como forma de preservar também a cultura Guajajara. Segundo Edjar, na aldeia são ensinadas duas línguas, o português e o tupi. “Muitos indígenas moram na cidade de Barra do Corda e não sabem mais falar nossa língua, mas estamos resgatando nossa língua indígena ensinando na aldeia”, disse.

Canelas e Timbiras

Além dos Guajajara na Agritec, os Canela e os Timbira também deram sua contribuição na troca de conhecimento com a população. Artesanatos e pinturas corporais foram atrativos desses dois grupos. À base de sementes, penas e palhas, os índios confeccionaram belas peças para comercializar durante a Feira.

A Agritec proporcionou vários meios para beneficiar os pequenos agricultores. É o caso do jovem apicultor indígena Jó Lima Guajajara, da aldeia Barreirinha, do município de Arame, que viu na Feira a chance de buscar mais conhecimento por meio dos cursos e oficinas. “Em 2013, minha família lá na aldeia, iniciou a apicultura. E aqui na Agritec aproveitei para participar do curso de criação racional de abelhas para melhorar a produção que temos”, disse.

A secretária-adjunta de Extrativismo, Povos e Comunidades Tradicionais, Luciene Dias Figueiredo, afirmou a importância da 11ª Agritec ter sido sediada em Barra do Corda, pela diversidade que é a região.

Nós tivemos uma participação muito efetiva dos municípios da região, mobilizando agricultores, indígenas e as escolas. A Agritec mostrou toda a diversidade de povos que a região tem com a presença de grupos indígenas e também na diversidade de produção da agricultura familiar. Foi uma Agritec de sucesso oportunizando geração de conhecimento, renda e garantia de terra aos agricultores que receberam seus títulos durante a Feira”, destacou a secretária Luciene.

Sobre a 11ª edição da Agritec, o presidente da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp), Júlio César Mendonça, enfatizou a iniciativa do governador Flávio Dino em criar esse espaço de troca de conhecimento e de comercialização aos agricultores do Maranhão.

Estamos muito satisfeitos e vemos a importância e o impacto que essa Feira tem nas cidades em que já passou, lembrando que, não apenas as cidades que sediaram, mas os municípios circunvizinhos, a Agritec gera conhecimento e dá oportunidade de renda para toda a população”, pontuou o presidente da Agerp, Júlio Mendonça.

Agritec

Realizada nos dias 22 a 24 (quinta a sábado) de junho, a Agritec recebeu mais de 15 mil visitantes e 4.538 pessoas tiveram acesso a cursos e oficinas oferecidos. Durante o evento foram comercializados R$ 24.496,00 em produtos da agricultura familiar e R$ 1.800.000,00 em contratos com instituições financeiras.

A Agritec é uma realização do governo do Estado, por meio do Sistema SAF (composto pela secretaria de Estado da Agricultura Familiar- SAF, Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural- AGERP e Instituto de Colonização e Terras do Maranhão- ITERMA), juntamente com os parceiros: EMBRAPA, SEBRAE e movimentos sociais (FETAEMA, MST, ACONERUQ, MIQCB E FETRAF-MA).




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.