quinta-feira, 13 de julho de 2017

Maranhenses para trabalhador nenhum esquecer




Como era esperado, o Senado brasileiro, essa casa inútil, votou favoravelmente a reforma das leis do trabalho. Foram-se os direitos.

Com articulação de Temer, ninguém, em sã consciência, poderia esperar outro resultado. Foram 50 senadores que, com o ´sim`, traíram os trabalhadores.

Senadores e senadoras servos fiéis do corrupto Temer que, segurado nos últimos fios de esperança, tenta se sustentar no poder, e, através da caneta, usa o poder econômico para retribuir aos parlamentares.

Devemos lembrar que, entre os 50 senadores e senadoras que foram favoráveis à  reforma de Temer, estão os três maranhenses: João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB). Ah, não devemos esquecer dos deputados. A proposta primeiro foi aprovada pela Câmera. E lá, entre os que votaram a favor, os maranhenses: Juscelino Filho (DEM), Júnior Marreca (PEN), Alberto Filho (PMDB), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), André Fufuca (PP), Waldir Maranhão (PP), Cleber Verde (PRB), José Reinaldo (PSB), Victor Mendes (PSD), Pedro Fernandes (PTB) e Aluisio Mendes (Podemos).

Agora, está feito. E vem aí a reforma da Previdência. Mais um golpe na cabeça, para arrebentar de vez.

Em 2018 esses nomes estarão por aí. Prefeitos, vereadores e lideranças políticas do interior, supostamente tratados como donos de currais eleitorais, serão cabos eleitorais.


Você está demitido! por Camilo Vannuchi

- Você está demitido.
- Virge santíssima, não brinca assim.
- É sério. Você está demitido.
- Nossa! Mas de uma hora pra outra?
- Sabe como é, a empresa vai passar por uma reestruturação.
- Puxa, eu trabalho há 27 anos aqui, nunca trabalhei em outro lugar.
- Pois é. Chamei o senhor aqui para negociar.
- Negociar o quê?
- Os termos da demissão em comum acordo.
- Como assim?  Não tem nada de comum acordo. Estou sendo demitido. E sem justa causa.
- A causa é justa, na verdade. Entenda. É a crise. Mas de fato não podemos caracterizar como justa causa. Uma pena.
- Então não tem o que negociar.
- Sabe o que é? A gente quer contar com o senhor no futuro. Como colaborador, entende?
- Não. Não entendo.
- Seus serviços. O senhor desempenha uma função essencial para os nossos negócios, e não podemos deixá-lo na mão. Acredito que possamos entrar num acordo para terceirizar você assim que a lei permitir.
- E quando vai ser isso?
- Daqui a 18 meses. É o que está na nova lei. Quarentena para migrar de contrato por tempo indeterminado para contrato intermitente.
- Dezoito meses? E como eu vivo até lá?
- Veja bem, tenho certeza que o senhor vai saber se virar. Não faltarão oportunidades.
- Aos 46 anos? Sei...
- Ah, não fala assim. Você está no auge. Não é toda companhia que pode contar com a sua experiência. E você ainda pode pegar um trabalho por produção...
- Produção?
- É, ora. A empresa paga você pelo que você produzir. E você se vira com o resto. Não precisa bater ponto nem nada. Muito mais fácil assim, sem transporte, sem alimentação, sem estação de trabalho... Por até 17 meses.
- Dezessete meses?
- Isso. É a lei. Para não incidirem impostos e para você não sacar o seguro desemprego. Mas isso é outro assunto. Não se preocupe com isso agora.
- Caramba. Estou chocado. Minhas mãos estão até tremendo. Tem o financiamento da casa, a faculdade da Ana, o colégio do Edu.
- Toma um gole d'água. Melhorou?
- Bom, pelo menos vou poder sacar o FGTS até me acertar.
- 80%.
- Como?
- 80% do FGTS. É o que estabelece a nova lei. Se fizermos um acordo, você poderá retirar 80% do FGTS.
- Meu Deus... Ainda bem que tem 40% de multa rescisória.
- 20%.
- Como?
- 20% de multa. É o que diz a nova lei. Se fizermos um acordo, a empresa paga 20% da multa. Sobre 80% do fundo, é claro. É justo. É a metade entre zero e 40%. Todos ganham.
- Todos ganham? Como assim, todos ganham? E se eu não quiser fazer acordo nenhum?
- Aí será mesmo uma pena, porque nunca mais vamos contratar você como PJ.
- Mas esse acordo, vou consultar o sindicato.
- Não adianta.
- Como?
- Não adianta. É o que determina a nova lei. Os acordos individuais entre patrão e empregado valem mais do que as convenções e os acordos coletivos.
- Rapaz... mas a legislação...
- Esquece.
- Como?
- Esquece a legislação. Está na lei. Os acordos entre patrão e empregado valem mais do que a legislação.
- Não é possível! Não foi para isso que eu fui a dezenas de assembléias, não foi para isso que eu me sindicalizei, nem é pra isso que pagamos a contribuição compulsória.
- Acabou.
- O quê?
- A contribuição sindical obrigatória. Não é incrível? Finalmente. Bando de sanguessugas. Repara como essa reforma é boa. Você não vai mais precisar pagar a contribuição sindical. Taí um Congresso Nacional que defende o trabalhador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.