quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Artigo, Robson Paz: Seriedade política x espetáculo



Por Robson Paz
A crise política, institucional e econômica criou uma narrativa danosa para o país: a antipolítica. Atraída pela interminável operação Lava Jato, parcela significativa dos brasileiros é levada a crer que a política é a responsável por todas as mazelas do país. Grave erro. Por certo, não é a política a mais pura das invenções humanas, mas não há outro caminho viável para a solução de conflitos e problemas, que não passe por ela.
Pois bem, na esteira dessa pregação diária da grande mídia passaram a surgir os mais inusitados atores, prontos a interpretarem este imagético personagem da antipolítica. E não faltam perfis. Desde o midiático prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), ao destrambelhado fascista deputado federal Jair Bolsonaro (Patriota), passando por neoaventureiros como o apresentador global Luciano Huck.
Empresário tido por muitos como um dos azes na utilização do marketing, Dória foi eleito em São Paulo e, desde então, passou a se deixar flagrar em situações as mais inusitadas. Ninguém interpreta tão bem o conceito da “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, quanto ele. Para o consagrado filósofo francês espetáculo é o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. Não basta mais ser, nem ter, mas o cerne na construção da imagem do indivíduo midiático é o parecer. “As pessoas admiráveis em quem o sistema se personifica são conhecidas por aquilo que não são”, vaticina Debord.
Contudo, há outro entendimento, este de viés popular, segundo o qual você pode enganar alguns por determinado tempo, muitos por algum tempo, mas jamais todo mundo o tempo todo.
Bastaram dez meses para que o desencanto começasse a tomar conta dos paulistanos. Pesquisa feita pelo instituto Datafolha, divulgada no último fim de semana, constatou que Dória tem apenas 26% de aprovação, nove pontos a menos que o levantamento anterior. No Rio, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) tem aprovação ainda menor 16%, segundo o Data Folha.
Resumo da ópera: a onda antipolítica, que varre o país poupa poucos. Mas, se de um lado, a população tem demonstrado rejeição aos políticos tradicionais e espetaculosos, de todos os matizes ideológicos, há a percepção clara da população sobre aqueles que levam a sério o fazer político.
O exemplo mais visível no país atualmente é o governador Flávio Dino. Dois anos e dez meses de gestão tem uma das maiores aprovações do país. O governador do Maranhão é aprovado por 61% da população, segundo pesquisa realizada este mês pelo instituto Exata/Jornal Pequeno.
É 20 vezes maior que o índice de aprovação do governador do Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão (PMDB), que tem 3% e quase nove vezes maior que o governo Temer com 7% aprovação. Flávio Dino é dos poucos governantes no país que tem ido ao encontro do povo. O reconhecimento à sua gestão ocorre em grande medida pela forma diferenciada de fazer política, priorizando o desenvolvimento de políticas públicas capazes de assegurar direitos, justiça e serviços públicos. Dino usa as redes sociais normalmente para prestar contas de suas ações. O reconhecimento da população acende uma luz de esperança em meio à escuridão da antipolítica.
Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.

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