terça-feira, 12 de junho de 2018

Professores da rede municipal de ensino lançam nota à população de Lago da Pedra





Aborrecidos com a atitude da Secretaria de Educação (SEMED), que quer, contrariando a Lei, alterar a carga horária, de 13 horas-aulas para 16 horas-aulas semanais, e com desconto, indevido, nos salários, além do não reajuste do piso, os professores da rede municipal de ensino de Lago da Pedra, estão se manifestando, de várias formas, para impedir que o Executivo "enterre" à categoria.

O impasse, que dura há meses, está prejudicando o andamento do ano letivo. 

Na manhã desta terça (12) os professores lançaram uma nota de esclarecimento.



Nota dos professores de Lago da Pedra à população

“Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” (Paulo Freire)

O discurso de valorização dos professores e da educação como principal de mecanismo de transformação social é praticamente uma unanimidade na classe política. De fato é um discurso que “agrega”, afinal a sociedade em geral reconhece a importância dos profissionais da educação na busca por mudança de realidades. Mas o que se observa é que esse é um discurso que tende a ficar na teoria, na “conversa bonita”, já que, na prática, poucos se dispõem em, de verdade, apoiar e valorizar o professor como trabalhador e como peça fundamental de uma engrenagem que não funciona sem ele – a educação.

Pais, alunos e a comunidade lagopedrense em geral têm acompanhando o embate entre a nossa classe e o poder público municipal, no que se refere ao cumprimento da carga-horária de serviços prestados por esta categoria em sala-de-aula. Há justificativa jurídica para o que reivindicamos, tudo é embasado pela Lei Federal nº. 11.738, de 16 de julho de 2008, que instituiu o piso nacional para os profissionais da educação básica, mais conhecida como “Lei do Piso”, que é clara sobre jornada de trabalho.

Temos ciência que direitos não são concessões, nem são benesse. Direitos não caem do céu. Direitos são CONQUISTAS. Conquistas essas fruto de muita luta. E na luta por direitos, não se regride, não se dá passos atrás, não se aceita passivamente autoritarismo ou incompetência de gestão. Por isso nossa resistência em não cumprir a determinação autoritária de Secretaria de Educação. Como retaliação, descontaram abusivamente do nosso salário e ainda soltaram uma nota extremamente DESRESPEITOSA, que nos chama de mal acostumados e baderneiros, que tenta nos colocar contra a população, como se não tivéssemos compromisso com a educação, como se a motivação de nossa luta fosse meramente atrapalhar o andamento das aulas.

Existem gestores que tem o costume de medir a gente através de sua régua cheia de vícios. De nos olhar através do vidro sujo de suas janelas. Daí tiram conclusões tão chulas de uma luta tão séria.

Deixamos claro à toda população de Lago da Pedra que todos os passos dados, toda a exposição a que estamos nos submetendo, são única e exclusivamente por nossos direitos, pelo cumprimento da Lei e pelo bom andamento da educação. Temos certeza que a grande maioria das mães, pais e alunos reconhecem o quanto os professores são sacrificados em suas rotinas, seja na falta de incentivo, na precariedade das escolas e dos instrumentos físicos, na superlotação das salas ou tantos outros pontos da realidade da educação pública.

Querem nos pintar de vilões, mas a gente sabe que professores são os verdadeiros heróis, não daqueles que voam, mas do que ensinam os outros a voar. A luta vai continuar, não vão nos calar, tampouco nos constranger. Não vamos desistir, não vamos esmorecer.
Quando um professor avança, nenhum cidadão retrocede!  Professora Lene Carlos.

Lago da Pedra, 12de junho de 2018

2 comentários:

  1. Muito bem, professora, aqui em Grajaú estamos também hoje com 10 dias de greve pelo nosso reajuste de 6.81%, avante na luta, as conquistas só saem na pressão!

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  2. Muito bem, professora, aqui em Grajaú estamos também hoje com 10 dias de greve pelo nosso reajuste de 6.81%, avante na luta, as conquistas só saem na pressão!

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